O gargalo é operacional, não comercial
A Quarto à Vista, que usa a marca Qavi, administra imóveis de aluguel por temporada em nome dos proprietários. Foi fundada em setembro de 2020 em Natal, opera nas praias do Rio Grande do Norte (Natal, Pipa e São Miguel do Gostoso aparecem no site de reservas) e hoje lista como serviço limpeza, lavanderia, manutenção, check-in e check-out, precificação dinâmica, distribuição nas principais plataformas de reserva mais site próprio, fotografia, painel do proprietário e atendimento ao hóspede sete dias por semana. Publica mais de 800 imóveis sob gestão, 75% de ocupação e 96% de satisfação dos proprietários, tudo autodeclarado e sem data.
Em outubro de 2022, a empresa contava mais de 200 imóveis, mais de 6.000 reservas e R$ 8 milhões repassados a proprietários em dois anos, com faturamento acumulado de R$ 2,3 milhões, segundo cobertura de imprensa da época. O modelo de cobrança declarado então era uma taxa sobre a receita líquida do proprietário.
A empresa existe porque proprietários que entregavam seus imóveis a operadores hoteleiros ou administradores individuais recebiam um serviço ruim e mais dor de cabeça do que a que queriam eliminar. Essa é a promessa ao proprietário: entrega e funciona. É também o que pressiona o back-office, porque cada imóvel que entra traz um conjunto de reservas, cada reserva traz uma conversa com hóspede, uma limpeza, um possível chamado de manutenção e um repasse, e o proprietário só vê o resultado.
O gargalo aqui é operacional, não comercial. Demanda não era a restrição; o cliente descreve crescer três vezes ao ano. A restrição era que cada imóvel novo significava mais gente, porque o trabalho entre sistemas era feito à mão.