O gargalo era operacional, não comercial
A Nomah operava apartamentos mobiliados em prédios residenciais, alugados por uma noite ou por meses, com check-in online, limpeza, manutenção e concierge por conta da operadora. Nasceu como Uotel em São Paulo, foi comprada pela Loft em 2020 e rebatizada Nomah em março de 2021, com um aporte de R$ 50 milhões para um plano de três anos. Geria unidades de investidores individuais e fechava prédios inteiros com incorporadoras (Porte, HAUT e Gafisa aparecem na imprensa como parceiras). Em junho de 2022, declarava 600 unidades em operação e 1.500 contratadas, mais de 90% em São Paulo, com Recife e Fortaleza previstas.
A Nomah não opera mais. Em agosto de 2022 fundiu-se com a mexicana Casai; a empresa resultante encerrou a operação no Brasil em janeiro de 2023, repassou a carteira a outras operadoras, e foi dissolvida em agosto de 2023. Este case descreve o sistema como funcionava em 2022 e está escrito no passado por isso.
O modelo joga a pressão inteira na virada. Um hotel tem a governança num prédio só. Uma operadora de moradia flexível tem centenas de unidades espalhadas por muitos prédios, cada uma vagando num horário diferente, cada uma precisando que um faxineiro chegue, que o enxoval seja trocado, que o que quebrou seja registrado e que a unidade seja marcada como pronta no sistema de reservas antes de o próximo hóspede entrar. Com reservas que podiam durar uma noite, o intervalo entre check-out e check-in era a operação.
O gargalo era operacional, não comercial. A empresa fechava prédios mais rápido do que conseguia abri-los. O que a limitava era que seiscentas unidades de viradas eram coordenadas por planilha e grupo de WhatsApp.